O cara morava sozinho, e criava um papagaio. Todo dia, quando ele saía pro trabalho, o papagaio passava a mão no telefone e ligava pra todos os papagaios, amigos dele, da cidade. Pó! Pó-pó-pó, currupaco-paco! . . . Eram horas no telefone, só com "papagaiadas".
No fim do mês, evidentemente, a conta vinha altíssima, e o camarada não sabia por quê. Desesperado, já tinha reclamado na companhia telefônica, mas sem resultado. Afinal, as ligações haviam mesmo sido feitas.
Até que, finalmente, passa pela sua cabeça a possibilidade de ser o papagaio. Ele reluta em aceitar essa hipótese, mas resolve se certificar.
No dia seguinte, como de costume, ele sai pra trabalhar, mas volta logo em seguida, pegando o papagaio em flagrante, no maior "conversê" ao telefone.
- Ah! Então és tu! Pois daqui pra frente a festa acabou!
No dia seguinte, pra castigar o papagaio e evitar novas ligações telefônicas, o cara abre bem as asas do bicho e as gruda na parede, com fita crepe, deixando o papagaio preso lá.
- Quero ver você telefonar agora!
E sai para trabalhar, todo confiante. O papagaio fica lá, de asas abertas, colado na parede, na maior das tristezas. Quando ele olha para a parede da frente, vê um crucifixo. Repara bem, olha abismado para as extremidades do objeto e exclama:
- Pô, meu! Prego?! Pra onde você ligou?!
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